Mãe Sandra de Oxum


Realizada pelo Pontão Ilê Axé Cultural Assobecaty, o projeto Pequena África foi selecionada no Edital PNAB 25/2024, da Rede Estadual de Pontões de Cultura do RS. O objetivo é fortalecer as Casas de Tradição Continuada, ampliando a Rede de Pontos de Cultura e promovendo ações de salvaguarda dos saberes, práticas e espaços dessas tradições.

A fala de cada líder de terreiro presente constituiu um depoimento primário, um registro inicial da memória e da continuidade que o projeto busca mapear. Em evento realizado em agosto, na Casa de Cultura Mário Quintana, várias lideranças de nações específicas (Cabinda, Oyó, Jeje, Ijexá etc.) foram reunidas, o que ressoou numa voz uníssona da importância e da preservação dessas linhagens.

Na imagem, Iyá Sandra de Oxum, Ilê Axé Ijobá de Oxum e Bará/ Nação: Jejê – Nagô, à frente de um Casa de Linha Contínua com 70 anos de atividade e três anos de identidade jurídica na cidade de Santa Maria/RS.

Mãe Sandra advém da linhagem de Custódio de Xapanã Sakpatá Erupe (Príncipe Custódio), Mãe Titina de Oyá Ladjá Tolá, Pai Salvaine de Oxum Pandá Mí, Mãe Marta de Oxum Pandá, Pai Sandro de Ogum Onira e eu Iyá Sandra de Oxum Pandá.

“Na nação jejê-nagô, a beleza se revela nas danças que contam histórias e nos tambores que ecoam a ancestralidade. O calor humano dos festivais celebra a união, enquanto os aromas das comidas típicas invadem o ar, despertando memórias afetivas. Cada canto do Ilê ressoa a força dos antepassados, transformando a cultura em um tapete de amor e resistência. Assim, a nação jejê-nagô, o batuque, brilha, rica em tradições e encantos que tocam a alma.

Em minha trajetória como religiosa, a qualidade que mais se ressalta é, sem dúvida, a empatia. Esta capacidade de me colocar no lugar do outro permitiu-me construir laços profundos com as pessoas ao meu redor, compreendendo suas dores e alegrias. A empatia não apenas enriquece minhas relações, mas também me impulsiona a atuar no serviço aos necessitados, seguindo o exemplo de compaixão que tanto aprendi nos ensinamentos sagrados.

Meu maior orgulho está nas pequenas transformações que consegui promover na vida daqueles que cruzaram meu caminho. Cada sorriso recuperado, cada esperança renovada, cada coração aquecido pela solidariedade me enche de gratidão. Saber que faço parte da história de alguém, mesmo que por um breve momento, traz um sentido profundo à minha jornada. Assim, sigo firme, guiada pela luz da fé e pelo amor incondicional ao próximo, sempre em busca de fazer a diferença neste mundo.

Um dos maiores desafios de manter a linha de tradição na prática religiosa é o delicado equilíbrio entre preservar as raízes e se adaptar às mudanças do mundo contemporâneo. À medida que a sociedade evolui, surgem novas ideias e questionamentos, e muitos fiéis enfrentam a pressão de modernizar suas crenças sem perder a essência do que sempre foi ensinado. Essa dualidade pode criar tensões internas e externas, levando a um debate constante sobre o que é sagrado e o que pode ser reinventado. Assim, a fé se torna um espaço de reflexão profunda, onde o respeito pelas tradições deve coexistir com a abertura ao novo".

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