Batuques do Sul, a origem do projeto Pequena África
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| Memorial do Rio Grande do Sul, encontro em 15 de julho de 2023. Foto: acervo Maria Helena Santana |
Leia o depoimento de Maria Helena Santana, antropóloga do Museu Antropológico do Rio Grande do Sul, vinculado à Secretaria de Estado da Cultura, uma das parceiras no Batuques do Sul.
“Este projeto se destaca por sua natureza colaborativa, estabelecendo uma parceria não apenas entre o museu e o Pontão, mas também envolvendo diversas lideranças religiosas, como Iyás, Babalorixás, Mães e Pais de santo das quatro Nações do Batuque – Cabinda, Oyó, Jeje e Ijexá – que participaram ativamente, unindo esforços em oficinas realizadas para refletir sobre os processos de transmissão dos Ilês, das Casas de linha contínua. Essa transmissão acontece pela passagem das casas de religião, os terreiros, de uma geração a outra, garantindo a continuidade dos axés e da Ancestralidade.
E ela se configura como uma prática que aborda a herança e a memória de uma trajetória social negra, que se adapta e se reinventa no sul do Brasil, onde o Batuque como experiência sociorreligiosa, representa uma forma de reinvenção e readaptação de modos de vida e visões de mundo, com raízes afro-referenciadas. Trata-se de uma forma de herança sociocultural, um modo cultural de existência.
A colaboração com essas lideranças, as Mães e Pais de Santo,
permitiu a reflexão sobre os desafios e dilemas da preservação de experiências
e modos de constituição social. Além da experiência religiosa, o projeto aborda
a organização do mundo, a existência e a importância da transmissão da
ancestralidade para a memória social e o patrimônio cultural das casas de
Batuque. Essa linha contínua de ancestralidade enraíza a experiência de estar
no mundo, sendo um aspecto fundamental para seus praticantes”.

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