Mãe Inayá de Oxum

Foto: Juliana Pozzatti
Realizada pelo Pontão Ilê Axé Cultural Assobecaty, o projeto Pequena África foi selecionada no Edital PNAB 25/2024, da Rede Estadual de Pontões de Cultura do RS. O objetivo é fortalecer as Casas de Tradição Continuada, ampliando a Rede de Pontos de Cultura e promovendo ações de salvaguarda dos saberes, práticas e espaços dessas tradições.

Saiba mais detalhes sobre o Pequena África (com fotos de Juliana Pozzatti) AQUI 

A fala de cada líder de terreiro presente constituiu um depoimento primário, um registro inicial da memória e da continuidade que o projeto busca mapear. Em evento realizado em agosto, na Casa de Cultura Mário Quintana, várias lideranças de nações específicas (Cabinda, Oyó, Jeje, Ijexá etc.) foram reunidas, o que ressoou numa voz uníssona da importância e da preservação dessas linhagens.

Na imagem, Mãe Inayá de Oxum, à frente da Sociedade de Umbanda e Religião Africana Xangô e Oxalá, Ilê de Oxum e Oxalá.

“Nossa casa mater se iniciou em 1960 sob o comando de meu pai, Vinicius de Oxalá Bocum, ou seja, tem 65 anos, desde sempre em Porto Alegre. Na nossa feitura de Jêje/Ijexá creio que o principal ensinamento é o respeito e a fé em nossos orixás. Digo sempre que é uma noção simples, onde as frentes, as obrigações no geral, o assentamento dos orixás não requer o luxo e sim o preparo correto desde o início, onde se entrega o eledá ao orixá. Fazer religião por amor e com a essência verdadeira dos orixás é nosso ouro, onde muitas vezes uma vela passada com fé resolve o problema.

Sou filha de Mãe Horacina de Oxalá Alufan Orumilaia e neta de Pai Vinicius de Oxalá Bocum(meu pai carnal). Em minha trajetória como religiosa prezo pela humildade e o entendimento, pois sempre estamos aprendendo algo. Me orgulho de estar à frente dessa família, conseguindo manter e cada vez mais elevar o nome e os feitos de meus ancestrais.

O maior desafio de manter a nossa linha é ensinar tudo que aprendi aos meus e fazer com que eles entendam que nunca se muda o fundamento do quarto de santo, pois essa é nossa essência. Para seguir fazendo a minha religião ensino que não podemos nos corromper e virar um comércio do axé".

Mãe Inayá complementa:

“Nossa casa já tinha um trabalho social junto à comunidade com as campanhas solidárias e a criação do Grupo de dança Ododuá. Quando fui orientada por Mãe Carmen sobre a possibilidade de nos tornamos um Ponto de Cultura, compreendi uma nova jornada de aprendizado como integrante do Cultura Viva.

Após a certificação como Ponto de Cultura, nosso Ilê abriu novas portas, potencializando atividades com recursos e oportunidades da Cultura Viva. Essa integração gerou mais aprendizado e nos deu condições de repassar aos seguidores os saberes que a ancestralidade deixou gravada em nossa história".

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